<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-628521061755037523</id><updated>2012-01-08T00:50:20.259-08:00</updated><category term='Leituras'/><category term='Práticas Teóricas'/><category term='Cultura e Cidade'/><category term='Dinâmicas e Desafios'/><title type='text'>Cultura e Conhecimento</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Carlos Fragateiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18393815230031004262</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://2.bp.blogspot.com/_Kr9PUMQRf3E/Swj2anv9C_I/AAAAAAAAAA4/pu0wGfQxJcQ/S220/fotosForum+Mundial+da+Cultura+S%C3%A3o+Paulo+2004.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>17</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-628521061755037523.post-7814650806111827500</id><published>2012-01-07T01:51:00.000-08:00</published><updated>2012-01-07T03:12:34.453-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Práticas Teóricas'/><title type='text'>Cultura no Centro do Desenvolvimento</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-53EQRcF9CgA/TwgUdYkHXaI/AAAAAAAAADs/N7LoamwpcwM/s1600/siamo%2Btutti%2Bclandestini.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="263" width="320" src="http://3.bp.blogspot.com/-53EQRcF9CgA/TwgUdYkHXaI/AAAAAAAAADs/N7LoamwpcwM/s320/siamo%2Btutti%2Bclandestini.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;(Escrevi este texto há dez anos e hoje para mim continua a fazer todo o sentido)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Habitamos hoje uma época que está a passar por um acelerado e profundo processo de transformação, um processo que nos confronta, em directo e ao vivo, com situações cada vez mais complexas, com um verdadeiro choque do futuro como refere Rosnay (1991).  Uma realidade emergente que implica uma profunda mudança ao nível do interior de cada um, da sua estrutura mental e do seu quadro de referências, mudança que nos obriga a procurar um modelo de desenvolvimento que respeite as diferentes componentes sociais e que seja baseado não somente na dimensão económica, mas também e fundamentalmente nas dimensões cognitiva, emocional, cultural, social e política. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais decisivo não é um relançamento da economia à escala do Estado, como refere Ander-Egg (1989), mas sim uma nova forma de viver, o que implica e obriga à mudança do paradigma que suporta a concepção actual de desenvolvimento, que nos obriga a “romper com la lógica del hombre fáustico que domina el pensamiento contemporáneo impregnado en los códigos culturales de la racionalidade europeia, o si se quiere nordatlántica” (op.cit.,p.120). Há pois que, de acordo com o autor, romper com uma realidade que nos mantém prisioneiros e alienados na santa trindade do homem contemporâneo: dinheiro, consumo e estatuto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfrentar esta ideia de mudança implica ter, em primeiro lugar, a capacidade de introduzir uma forte dimensão cultural no interior da ideia de projecto de desenvolvimento de modo a obrigá-lo a centrar a sua actividade na procura de novos sistemas de valor e a afirmar-se como instrumento de libertação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma dimensão cultural que não se pode limitar ao universo das obras de arte e das humanidades, à acumulação de obras e conhecimentos que uma elite produz, recolhe e conserva para os tornar acessíveis a todos, devendo ser também, e antes de mais, aquisição de conhecimentos, exigência de um modo de vida, necessidade de comunicação, pois hoje cada vez mais se entende a cultura como algo que é inseparável da vida quotidiana. Conceitos e ideias que há mais de trinta anos estão a ser explicitados em documentos oficiais, nomeadamente nas conferências intergovernamentais sobre as políticas culturais de Veneza (1970) e Helsínquia (1972), mas que têm tido pouco ou nenhum reflexo na definição das práticas da governação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que afirmemos que neste quadro, e de acordo com Gaudibert (1972), que o combate por um projecto cultural numa perspectiva de desenvolvimento não se situará mais nos aparelhos culturais, passando sim por todos os poros e interstícios da vida quotidiana, única forma de podermos ter esperança que a cultura seja um elemento capaz de mudar, ao mesmo tempo, a sociedade e a vida. Para o autor a arte deveria encontrar a rua e a cultura deveria encontrar a vida quotidiana, uma perspectiva que põe em causa os lugares e instituições culturais e, sobretudo, reafirma “le refus de la division entre une minorité de spécialistes se réservant le monopole de la création artistique et une masse de purs récepteurs de produits artistiques » (op.cit., p.138). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se de recriar a ideia da criatividade generalizada e permanente de todos, onde o único sentido da acção cultural seria o de ajudar a criatividade a encontrar os seus meios de expressão. A arte e a cultura são assim repostas ao lado do quotidiano e do existencial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falamos assim de um processo de desenvolvimento que deve estar centrado na cultura, e que deve, ao mesmo tempo, ser assegurado e ter a pessoa como sua finalidade central. A referência à ideia da pessoa como motor e fim último de um projecto de desenvolvimento é algo que vamos encontrar em correntes significativas do pensamento, correntes essas que reafirmam que a sociedade deve construir-se e desenvolver-se tendo por finalidade a felicidade dos indivíduos. Uma ideia que muitas vezes não esteve no centro das preocupações da sociedade, pois, como refere ainda Dupuis (1995),  “l´essor de l´économie marchande et du capitalisme ont largement occulté cet humanisme” (p.37).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta ideia de cultura, segundo Eduard Taylor (1871), designa a  «totalité complexe qui comprend les connaissances, la croyance, les arts, les lois, la morale, la coutume, et tout autre capacité ou habitude acquise par l´homme en tant que membre de la société » (cit. in Warnier 1999, p.5). É a bússola de uma sociedade, sem a qual, como considera ainda Warnier (op.cit.),  os seus membros não saberiam nem donde vêm, nem como lhes convém comportar-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/628521061755037523-7814650806111827500?l=culturaconhecimento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/feeds/7814650806111827500/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/2012/01/cultura-no-centro-do-desenvolvimento.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default/7814650806111827500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default/7814650806111827500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/2012/01/cultura-no-centro-do-desenvolvimento.html' title='Cultura no Centro do Desenvolvimento'/><author><name>Carlos Fragateiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18393815230031004262</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://2.bp.blogspot.com/_Kr9PUMQRf3E/Swj2anv9C_I/AAAAAAAAAA4/pu0wGfQxJcQ/S220/fotosForum+Mundial+da+Cultura+S%C3%A3o+Paulo+2004.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-53EQRcF9CgA/TwgUdYkHXaI/AAAAAAAAADs/N7LoamwpcwM/s72-c/siamo%2Btutti%2Bclandestini.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-628521061755037523.post-502046651316634248</id><published>2011-09-13T05:30:00.000-07:00</published><updated>2011-09-13T05:40:45.876-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Práticas Teóricas'/><title type='text'>Laboratório de Ideias Como Nascem as Ideias</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-3ulQ87vGt5c/Tm9MchBDRvI/AAAAAAAAADg/KuiJMfa1sVM/s1600/A%2BDan%25C3%25A7a%2Bdo%2BUniverso.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="240" width="320" src="http://3.bp.blogspot.com/-3ulQ87vGt5c/Tm9MchBDRvI/AAAAAAAAADg/KuiJMfa1sVM/s320/A%2BDan%25C3%25A7a%2Bdo%2BUniverso.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Estaleiros de Viana do Castelo são notícia porque para a sua equipa de gestão a única solução implicava o despedimento de metade dos trabalhadores. Que ideia estranha num país que tem o mar como aposta estratégica.&lt;br /&gt;Lula da Silva, com a simplicidade que caracteriza os grandes líderes, falou de soluções para potenciar os estaleiros e manter todos os trabalhadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado do oceano chega um outro olhar, um olhar de esperança, um olhar do mundo que pensa e fala em português. Um olhar que tem mais de 230 milhões de pessoas. É obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste fim de semana nos jornais falou-se de como seria bom que a Europa tivesse um líder como Lula da Silva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é assim tão difícil inventar soluções como as que Lula apresentou, é assim tão difícil inventar ideias como estas? É e não é. É dificil quando não temos mundo, é fácil se tivermos uma visão global e complexa do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse, penso, que é o desafio dum Laboratório de Ideias, mas é também o desafio da cultura, não a cultura refém de interesses de grupos e lobys , mas a cultura como a área social por excelência para se perceber a complexidade da nossa vida, para se reavivar a memória e inventar o futuro. A cultura que atravessa transversalmente todas as áreas da governação. Onde está a ciência, a arte, o desenvolvimento, o lazer, onde se pensam as cidades, onde se produz pensamento. A cultura que faz de cada cidadão dono do seu próprio destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tudo isto é possível se tivermos como referência a obra e o pensamento dos grandes homens que transformaram o mundo. Steve Martin traduziu esse desafio num diálogo imaginário entre Picasso e Einstein que já aqui referi: &lt;br /&gt;Picasso - Quer dizer que pega numa ideia bela e a transforma no que ela vai ser na realidade?  &lt;br /&gt;Einstein - Precisamente. Criamos um sistema e verificamos se os factos encaixam nele. &lt;br /&gt;Picasso - Portanto não está só a descrever o mundo como ele é? &lt;br /&gt;Einstein - Não. Estamos a criar uma nova forma de ver o mundo. &lt;br /&gt;Picasso - Está-me a dizer que sonha o impossível e ele acontece? &lt;br /&gt;Einstein - Exactamente. &lt;br /&gt;Picasso - Irmão! &lt;br /&gt;Einstein - Irmão! (Abraçam-se.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nós temos de ser capazes de criar uma nova forma de ver o mundo, temos de ser capazes de sonhar o impossível e fazer com que ele aconteça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um desafio que nos deve acompanhar nos próximos tempos, um desafio para corredores de fundo, para gente com capacidade interior para resistir ao canto das sereias da sociedade do espectáculo que nos querem trazer para o superfície, para o imediato, e impedir-nos de fazer um trabalho em profundidade, de construir um projecto transformador, um projecto de e com futuro.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/628521061755037523-502046651316634248?l=culturaconhecimento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/feeds/502046651316634248/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/2011/09/laboratorio-de-ideias-como-nascem-as.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default/502046651316634248'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default/502046651316634248'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/2011/09/laboratorio-de-ideias-como-nascem-as.html' title='Laboratório de Ideias Como Nascem as Ideias'/><author><name>Carlos Fragateiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18393815230031004262</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://2.bp.blogspot.com/_Kr9PUMQRf3E/Swj2anv9C_I/AAAAAAAAAA4/pu0wGfQxJcQ/S220/fotosForum+Mundial+da+Cultura+S%C3%A3o+Paulo+2004.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-3ulQ87vGt5c/Tm9MchBDRvI/AAAAAAAAADg/KuiJMfa1sVM/s72-c/A%2BDan%25C3%25A7a%2Bdo%2BUniverso.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-628521061755037523.post-6126572324438764097</id><published>2011-08-26T03:44:00.000-07:00</published><updated>2011-08-26T03:44:24.385-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Práticas Teóricas'/><title type='text'>As Estratégias da Criação</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-o-X8vxD30Dg/Tld4iXR_8qI/AAAAAAAAADM/qCBNpjOCbTU/s1600/O%2BArtista%2Be%2Bo%2BElefante.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="220" width="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-o-X8vxD30Dg/Tld4iXR_8qI/AAAAAAAAADM/qCBNpjOCbTU/s320/O%2BArtista%2Be%2Bo%2BElefante.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Comment créez-vous?, lui lançais-je en découvrant l´un des ses carnets d´aquarelles. Par petites touches d´irréalité, me répondit-il, avec ce sourire des yeux des vrais humoristes” &lt;br /&gt;Jacques Séguéla 1993&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criar, é explorar para além do possível, é a cada novo projeto fazer o vazio do  «já visto», do «já dito», é destruir as ideias recebidas e as palavras usadas, o conservadorismo e os atavismos, as hierarquias e os regulamentos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criar, é incendiar o extraordinário, nas palavras de Séguéla. Se o pensamento disciplinado nos obriga a ficarmos presos a tal ou tal sistema de referência, o ato criador, na medida em que depende de recursos inconscientes, supõe um relaxamento dos controles e um retorno a formas de criação de ideias que são indiferentes às contradições, aos dogmas e aos tabus do que se chama senso comum. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A corrida à criação é na prática uma constante desestabilização, um pacto assinado com o ilogismo. Todas as grandes revoluções do pensamento tiveram de se fazer não sómente contra os dogmas aristotélicos, platonianos ou cristãos, mas também contra o que parecia a evidência e o bom senso. Foi necessário, a cada momento, abrir uma brecha na ordem estabelecida do pensamento conceptual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kepler reverteu a doutrina “evidente” do movimento circular uniforme; Galileu arruinou a noção do bom senso de que todo o corpo em movimento deve ter um “motor”para o lançar ou o emppurrar: Newton teve de contradizer a experiência e mostrar que é possivel a ação sem contacto; Rutheford teve de assumir uma contradição nos conceitos ao afirmar que o átomo, que quer dizer “indivisível”, é divisível; Einstein proibiu-nos de acreditar que os relógios rodam todos à mesma velocidade em qualquer ponto do universo; a física dos quanto escamoteou o sentido tradicional de palavras como matéria, energia, causa e efeito. (Kloester 1964)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desenvolver a capacidade criativa obriga-nos a: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- outra atitude sobre as coisas, a combater a força do hábito e das convenções que nos fecham no banal e numa realidade de que muitas vezes não nos apercebemos, romper com as cadeias invisíveis e os constrangimentos que funcionam para além do nível da consciência, pois frequentemente são as normas colectivas, os códigos de conduta, que determinam as regras do jogo e nos fazem avançar quase sempre nos carris do hábito, reduzindo-nos ao estado de autómatos bem adestrados; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- outra capacidade de olhar que nos dê condições para procurar ao lado, como refere Paul Soriau na sua teoria da invenção, ou de “tomar distância, de nos elevarmos para ver melhor, de religar para compreender melhor, de situar para agir melhor. Rosnay (1995, p.28). Italo Calvino (1990) refere, numa das suas “seis conferências para o próximo  milénio”, a dedicada à leveza, que, numa altura em que o reino do humano parece mais pesado, se deveria, tal  como Perseu,  voar para outro lado, não fugir para o sonho ou para o irracional, mas mudar o nosso ponto de vista, observar o mundo a partir de outra óptica e de outros métodos de conhecimento e análise; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- a ideia de simplicidade e a necessidade de que cada um reencontre a inocência da sua infância, nos pode aproximar do mundo da invenção. Há que voltar às coisas simples, “à capacidade de formular perguntas simples, perguntas que, como Einstein costumava dizer, só uma criança pode fazer mas que, depois de feitas, são capazes de trazer uma nova luz à nossa perplexidade; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- a intuição, pois a aparição repentina de uma ideia nova é, efectivamente, um acto de intuição, uma faísca/rasgo miraculoso, um curto-circuito da razão. A descoberta não é mais do que uma soma de deduções infantis e o génio é a capacidade de as ligar sem medo do ridículo. A procura do improvável exige longos e rudes esforços, mas o mediador é em definitivo o inconsciente – com a sua souplesse e a sua liberdade, com a sua libertinagem intelectual, a sua força visionária. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas das invenções partiram de atitudes e processos extremamente simples como os de Marvin Minsky que inventou a inteligência artificial analisando as crianças brincando com os cubos, ou de Newton que compreendeu a gravidade concentrando-se numa maçã e Galileu a Terra fixando as estrelas. Einstein refere que teve a ideia da profunda generalização sobre o espaço e o tempo quando estava na cama doente. Descartes, diz-se, fez as suas descobertas de manhã na cama. Cannon e Poincaré escreveram que tiveram brilhantes ideias na cama sem poder dormir – é a única coisa positiva das insónias. Conta-se também que o grande engenheiro James Brindley, logo que se confrontava com um problema difícil ficava deitado durante vários dias até que encontrava a solução. Walter Scot escreveu a um amigo que a meia hora entre o acordar e o levantar foi durante toda a sua vida um tempo propício às tarefas um pouco árduas, pois foi sempre ao abrir dos olhos que via chegar em grande número as ideias que desejava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No estado decisivo da descoberta, os códigos do raciocínio disciplinado deixam de se aplicar, da mesma maneira que no sonho onde a corrente de ideias é livre de se escapar para vagabundear aparentemente sem leis. (Koestler 1964) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vagabundagem que leva à descoberta do desconhecido, ao confronto com coisas novas, com o imprevisto, numa perspectiva que deveria ser uma constante em cada pessoa, em todos os seus tempos e actividades, pois é este sentido de aventura que nos ajuda a crescer, a abrir-nos a outros mundos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um processo como aquele de que Umberto Eco nos fala, no seu livro “A Biblioteca”, quando refere como é importante cada um poder aventurar-se no interior de uma biblioteca pois um dos mal entendidos que dominam a noção de biblioteca é o facto de se pensar que se vai à biblioteca pedir um livro cujo título se conhece. Na verdade acontece muitas vezes ir-se à biblioteca porque se quer um livro que se conhece, mas a principal função da biblioteca, pelo menos a função da biblioteca da minha casa ou a de qualquer amigo que possamos visitar, é de descobrir livros de cuja existência não se suspeitava e que, todavia, se revelam extremamente importantes para nós". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Fragateiro&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/628521061755037523-6126572324438764097?l=culturaconhecimento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/feeds/6126572324438764097/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/2011/08/as-estrategias-da-criacao.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default/6126572324438764097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default/6126572324438764097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/2011/08/as-estrategias-da-criacao.html' title='As Estratégias da Criação'/><author><name>Carlos Fragateiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18393815230031004262</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://2.bp.blogspot.com/_Kr9PUMQRf3E/Swj2anv9C_I/AAAAAAAAAA4/pu0wGfQxJcQ/S220/fotosForum+Mundial+da+Cultura+S%C3%A3o+Paulo+2004.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-o-X8vxD30Dg/Tld4iXR_8qI/AAAAAAAAADM/qCBNpjOCbTU/s72-c/O%2BArtista%2Be%2Bo%2BElefante.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-628521061755037523.post-65009313332729645</id><published>2011-08-25T04:31:00.000-07:00</published><updated>2011-08-25T04:31:42.099-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Práticas Teóricas'/><title type='text'>Necessitamos de Novos Instrumentos de Observação e Análise</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-LuM3UVeb-7I/TlYyXhiQlWI/AAAAAAAAADE/pPxWa4B83Mc/s1600/A%2BRevolu%25C3%25A7%25C3%25A3o%2BEgipcia.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="110" width="320" src="http://3.bp.blogspot.com/-LuM3UVeb-7I/TlYyXhiQlWI/AAAAAAAAADE/pPxWa4B83Mc/s320/A%2BRevolu%25C3%25A7%25C3%25A3o%2BEgipcia.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema da mudança é, como afirma Crozier (1995), primeiro que tudo, um problema de raciocínio e a única falha evidente que é revelada por cada novo problema da sociedade é a da fraqueza do raciocínio, sendo pois por aí que é necessário lançar as reformas. Daí que uma mudança desta dimensão não se possa efectuar estritamente a nível do indivíduo, tendo sim que atravessar toda a estrutura social, pois muitas vezes é o bloqueamento da inteligência das elites que bloqueia a sociedade, sendo pois ao nível da inteligência que é necessário investir. Há efectivamente uma urgência e uma necessidade de descobrir novos instrumentos de observação e análise, novos métodos de pensamento e novos itinerários, de forma a situar a acção individual no coração de um processo de mudança de que somos ou deveríamos ser actores principais.  &lt;br /&gt;Há pois que encontrar um método de análise que seja capaz de viver no interior de uma contradição, ou complementaridade, dado que nenhum dos métodos de análise, analítico ou sistémico, é capaz de responder à necessidade e à urgência de fazer entender a realidade na sua globalidade e complexidade. Isto, por um lado, porque se perdem no processo a qualidade das propriedades emergentes se se decompõe, pela análise, a complexidade em elementos simples, e, por outro, se se recompõe, pela síntese, o todo a partir das suas partes não dispomos de provas experimentais com que confrontar as hipóteses. É assim que uma das questões centrais que hoje se coloca tem a ver com a criação de condições para desenvolver em cada pessoa a capacidade de pensar o mundo ao mesmo tempo duma forma analítica e sistémica. Duma forma analítica porque capaz de compreender um facto isolado em toda a sua profundidade, e duma forma sistémica porque capaz de ligar esse facto com outros factos e de o integrar em diferentes sistemas, compreendendo e podendo assim descrever e agir com maior eficácia sobre a complexidade.&lt;br /&gt;O método analítico corresponde, de acordo com Rosnay (1995), a um arranha-céus que simboliza a pesquisa enciclopédica e que é construído, como numa gigantesca biblioteca, para abrigar todo o conhecimento do mundo organizado por disciplinas, onde a cada conhecimento novo corresponde uma sala e a cada novo domínio um andar, com toda a dificuldade que há para nos orientarmos e saber onde encontrar as informações pertinentes e em que andar ou sala começar. O método sistémico, simbolizado por uma esfera, não tem no seu interior nenhum compartimento, secção ou nível, pois todos os conhecimentos vindos do exterior são permanentemente misturados (ideia de trama) e colocados em perspectiva uns em relação aos outros. O conteúdo da esfera enriquece-se assim globalmente, a parte contém o todo e o todo a parte, tornando-se cada um significante para o outro. Tal como para o arranha-céus enciclopédico, a expansão do volume dos conhecimentos é ilimitada, realizando-se duma forma coerente e não por simples justaposição de saberes. &lt;br /&gt;Na realidade, há uma profunda cegueira sobre a natureza do que deve ser um conhecimento pertinente. Ora um mínimo de conhecimento do que é o conhecimento, como refere Claude Bastian (1992, cit. Morin 1993, p.131), ensina-nos que o mais importante é a contextualização e que a evolução cognitiva não caminha para a instalação de conhecimentos cada vez mais abstractos, mas, ao contrário, para a sua contextualização, pois é esta que determina as condições da sua inserção e os limites da sua validade. Para Morin (op.cit.) o conhecimento especializado é ele próprio uma forma particular de abstracção, pois extrai um objecto dum campo determinado, rejeita as ligações e as intercomunicações com o seu meio, inserindo-o num sector conceptual abstracto que é o da disciplina compartimentada cujas fronteiras rompem arbitrariamente a sistematicidade (a relação duma parte com o todo) e a multidimensionalidade dos fenómenos. Um processo que conduz, por exemplo, à abstracção matemática, uma abstracção que opera por si mesma uma cisão com o concreto, privilegiando, por um lado, tudo o que é calculável e formalizável, e ignorando, por outro, o contexto necessário à inteligibilidade dos seus objectos. É assim que Morin (op.cit.) dá como exemplo a economia, a qual, sendo a ciência social matematicamente mais avançada, é também a ciência social humanamente mais atrasada porque se abstrai das condições sociais, históricas, políticas, psicológicas e ecológicas que são inseparáveis das actividades económicas. Essa a razão que faz com que os especialistas económicos sejam cada vez mais incapazes de interpretar as causas e as consequências das perturbações monetárias e bolsistas e de prever e de predizer, mesmo a curto prazo, o curso económico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Fragateiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/628521061755037523-65009313332729645?l=culturaconhecimento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/feeds/65009313332729645/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/2011/08/necessitamos-de-novos-instrumentos-de.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default/65009313332729645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default/65009313332729645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/2011/08/necessitamos-de-novos-instrumentos-de.html' title='Necessitamos de Novos Instrumentos de Observação e Análise'/><author><name>Carlos Fragateiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18393815230031004262</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://2.bp.blogspot.com/_Kr9PUMQRf3E/Swj2anv9C_I/AAAAAAAAAA4/pu0wGfQxJcQ/S220/fotosForum+Mundial+da+Cultura+S%C3%A3o+Paulo+2004.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-LuM3UVeb-7I/TlYyXhiQlWI/AAAAAAAAADE/pPxWa4B83Mc/s72-c/A%2BRevolu%25C3%25A7%25C3%25A3o%2BEgipcia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-628521061755037523.post-419296146399018796</id><published>2011-08-21T02:46:00.000-07:00</published><updated>2011-08-21T02:46:43.187-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Práticas Teóricas'/><title type='text'>A Cultura como Espaço da Globalidade e da Mudança</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-3f3OqlP6jiQ/TlDTsQiW9gI/AAAAAAAAACk/1vnrx1b_9U8/s1600/O%2BNavio%2Bdos%2BRebeldes.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="129" width="200" src="http://2.bp.blogspot.com/-3f3OqlP6jiQ/TlDTsQiW9gI/AAAAAAAAACk/1vnrx1b_9U8/s200/O%2BNavio%2Bdos%2BRebeldes.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cultura é a única área de intervenção social onde o homem é o centro de tudo, onde se articula, duma forma dinâmica e conflitual, o passado e o futuro, a manutenção e o risco, as tradições e a experimentação, o lugar por excelência dos que intervêm para transformar o presente, dos que nos laboratórios ou nos ateliers inventam e ficcionam os futuros possíveis, sejam artistas, cientistas, arquitectos, escritores, urbanistas, historiadores ou filósofos. A cultura como espaço da memória, como argamassa e interface das teias que tecem a nossa identidade, o nosso modo de ser, o nosso mundo. &lt;br /&gt;A cultura como a dimensão social que tem a visão do todo, onde, porque o homem é o centro de tudo, se ligam os diferentes sinais e realidades, se tornam visíveis, se revelam, as questões que atravessam a cada momento a sociedade, se pensa globalmente o mundo. A cultura como prospectiva, onde abrem perspectivas, se antecipam desafios e descobertas, traduzindo o ar do tempo, de cada tempo. &lt;br /&gt;A cultura pode e deve ter um papel estratégico neste tempo de mudança, neste tempo de incertezas, um tempo em que há uma urgência em encontrar novos modelos de desenvolvimento, e onde o maior obstáculo é, como afirma Crozier, o défice de inteligência das elites, a sua incapacidade para compreender e potenciar os múltiplos sinais desta mudança, para perceber a realidade na sua complexidade e globalidade, porque hoje vivemos ainda centrados num conhecimento disciplinar, encaixotado, espartilhado. &lt;br /&gt;Por isso é que o desafio da complexidade, como há muito diz Edgard Morin, é algo fundamental, o que nos leva a dizer que se é natural implodir edifícios que contrariam e impedem a construção de uma vivência urbana harmoniosa e criativa, por maioria de razão um dia destes será ainda mais natural implodir o quadro fechado de pensamento que leva a que as elites repitam até à exaustão as mesmas soluções, as mesmas estratégias, sem a mínima consciência de que estão esgotadas e são obstáculos à construção do futuro, à concretização de um modelo de desenvolvimento e de sociedade que sirva o homem e o conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Fragateiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/628521061755037523-419296146399018796?l=culturaconhecimento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/feeds/419296146399018796/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/2011/08/cultura-como-espaco-da-globalidade-e-da.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default/419296146399018796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default/419296146399018796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/2011/08/cultura-como-espaco-da-globalidade-e-da.html' title='A Cultura como Espaço da Globalidade e da Mudança'/><author><name>Carlos Fragateiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18393815230031004262</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://2.bp.blogspot.com/_Kr9PUMQRf3E/Swj2anv9C_I/AAAAAAAAAA4/pu0wGfQxJcQ/S220/fotosForum+Mundial+da+Cultura+S%C3%A3o+Paulo+2004.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-3f3OqlP6jiQ/TlDTsQiW9gI/AAAAAAAAACk/1vnrx1b_9U8/s72-c/O%2BNavio%2Bdos%2BRebeldes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-628521061755037523.post-3198063898444202734</id><published>2011-08-19T22:42:00.000-07:00</published><updated>2011-09-18T15:11:09.665-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leituras'/><title type='text'>Nós é que somos o futuro, nós somos a revolução</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-acALkO_gKkA/Tk9JAhg7DiI/AAAAAAAAACU/rYqotSlK834/s1600/Picasso%2Be%2BEinstein.jpg" imageanchor="1" style="clear:right; float:right; margin-left:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="200" width="200" src="http://3.bp.blogspot.com/-acALkO_gKkA/Tk9JAhg7DiI/AAAAAAAAACU/rYqotSlK834/s200/Picasso%2Be%2BEinstein.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós podemos fazer das nossas visões uma realidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes 7 pontos são uma síntese pessoal dum livro que li nos anos 80 e que me influenciou profundamente - The Aquarian Conspiracy de Maryline Fergusson. È um livro que fala da mudança de era, de que estamos a sair da era dos peixes para a era do aquário, duma era pesada e de guerra para uma era da inteligência e da sensibilidade. Podendo parecer um pouco exotérico, assumo que estes pontos aqui referidos têm muito a ver com o que hoje defendo, têm muito a ver com muitos dos pressupostos que encontro nos autores contemporâneos de teatro. Para além disso acredito que estamos claramente a viver um tempo de mudança e que essa mudança irá privilegiar a inteligência e a sensibilidade, capacidades hoje faltam muito às nossas elites.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 - No início do séc. XIX, Alex Tocqueville referiu que o comportamento cultural e as crenças não verbais se modificam muito antes das pessoas reconhecerem abertamente que os tempos mudaram. A tradição oral pode prolongar durante anos, durante gerações, ideias que há muito tempo foram abandonadas em privado. Sejam elas sociais, científicas ou políticas, todas as revoluções apanham de surpresa os seus contemporâneos, exceptuando naturalmente os visionários que parecem detectar desde o início o arranque da mudança. Um processo que não se pode compreender só com a lógica, ela é insuficiente, e que só se pode dominar globalmente se à lógica acrescentarmos a intuição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 - Assumir a mudança duma forma efectiva é sermos capazes de olhar a realidade a partir de múltiplos olhares, porque são estes que nos levam a renunciar às certezas e a admitir que as interpretações variam segundo as perspectivas e as situações. O sentimento de liberdade tem de viver na incerteza, da capacidade de mudar, modificar, assimilar novas informações à medida que avançamos, a incerteza é a companhia necessária de todos os criadores, de todos aqueles que procuram o novo, um outro quadro de ver, analisar e estar no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 - Mais do que procurar a face escondida da lua, que está longe da nossa vida, podemos tentar olhar a face escondida do nosso próprio espírito.&lt;br /&gt;Não podemos saber do que o nosso cérebro é capaz se o não incentivarmos a mostrá-lo. O repertório genético de cada espécie permite fazer face a um número quase infinito de situações potenciais, como se todos tivéssemos um piano dentro de nós, sabendo que, infelizmente, são poucos os que aprenderam a tocá-lo. Cada tomada de consciência traduz-se numa expansão do quadro de pensamento, numa forma nova de perceber a relação entre as coisas, no poder de transformar em permanência uma vida. Estas revelações da consciência acontecem quando estamos vigilantes e calmos, mais do que atarefados e a planificar. &lt;br /&gt;Durante um processo de transformação nós tornamo-nos os artistas e os cientistas da nossa própria vida. Uma consciência acrescida faz nascer em nós as características que caracterizam a pessoa criativa: uma apreensão global, percepções frescas e infantis, o sentimento de ser levado, o gosto do risco, a aptidão para focalizar a sua atenção duma forma relaxada, a perder-se no objecto de contemplação, a faculdade de trabalhar ao mesmo tempo com uma imensidão de ideias complexas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 - Um paradigma é um quadro de pensamento, uma espécie de estrutura intelectual que permite a compreensão e a explicação de certos aspectos da realidade. Uma mudança de paradigma é, sem dúvida, uma nova forma de pensar os velhos problemas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 - O eu transformado torna-se mais sensível e adquire novas capacidades/dons: como um artista estuda as estruturas e descobre significações e a sua própria originalidade; como um bom cientista, experimenta, especula, inventa e encontra prazer no inesperado; com a curiosidade e o interesse de um antropólogo compreender a diversidade; praticando outras culturas considera as possibilidades infinitas do homem. &lt;br /&gt;O eu em transformação é também um sociólogo que estuda as relações no seio das comunidades e também da conspiração, é um físico que aceita a incerteza como um facto da vida, advinha a existência de um domínio para além das concepções do tempo linear e do espaço, é um biologista molecular que fica estupefacto pela capacidade de renovação, de mudança e de complexificação de que faz prova a natureza.&lt;br /&gt;O eu em transformação é um arquitecto desenvolvendo o seu próprio meio envolvente. É um visionário que imagina outros futuros possíveis. Como um poeta ele atinge, através duma linguagem metafórica original, verdades profundas, como um escultor liberta a sua própria forma do bloco do hábito. Intensificando a sua atenção e a sua flexibilidade, como autor dramático representa todos os papéis da sua própria companhia de teatro. Ele tem o seu jornal interno, redige a sua autobiografia, examinando os fragmentos do seu passado como um arqueólogo, é simultaneamente o compositor, os instrumentos e a música. A vida vivida como arte encontra o seu próprio caminho, os seus próprios amigos e a sua própria música; ele vê com os seus próprios olhos. &lt;br /&gt;Para o eu em transformação, como para o artista, o êxito não é um refúgio permanente, mas uma simples recompensa momentânea. A alegria está no risco, em fazer de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6 - A multiplicidade de culturas existente na Califórnia resultante da convergência de dois fluxos de emigrantes, a asiática e a europeia, é uma mais valia, um enriquecimento. Nela o Oriente e o Ocidente fazem a sua fusão. A Califónia é também uma síntese do que J:P:Snow chamou as Duas Culturas, a Arte e a Ciência. Estima-se que cerca de 80% da ciência pura da União efectua-se na Califórnia, onde se encontram mais prémios Nobel que em qualquer outro Estado e os membros da Academia Nacional das Ciências são, na sua maioria, provenientes da Califórnia. As artes, enquanto comércio e expressão da vanguarda, representam o negócio principal da Califórnia. (…) Os actores, os escritores, os pintores, os arquitectos e os estilistas constituem uma indústria maior. Para o melhor e para o pior, eles contribuem em grande parte para criar a cultura da nação.&lt;br /&gt;Para o historiador William Irwin Thompson, não é tanto um estado da união mas um estado de espírito, uma imagi-nação que há muito tempo fez um corte com a nossa realidade. Assumindo o papel de líder, a Califórnia ajudou o mundo a efectuar a transição da sociedade industrial à sociedade post-industrial, do material ao logiciel, do aço ao plástico, do materialismo ao misticismo. A Califórnia foi assim a primeira a descobrir que é a imaginação que tem o poder sobre a realidade e não o contrário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7 - Nós não podemos esperar que o mundo rode, como disse a filósofa Béatrice Bruteau, que os tempos mudem e que nós mudemos com ele. Não podemos esperar que a revolução chegue e nos transporte no seu novo curso. Somos nós que somos o futuro, nós somos a revolução. &lt;br /&gt;Nós podemos fazer das nossas visões uma realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Fragateiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The Aquarian Conspiracy, Maryline Fergusson, J.P. Tarcher, 1980; 1987&lt;br /&gt;Les enfants du verseau - Pour un nouveau paradigme, Maryline Fergusson, traduction française, ed. Calman Lévy 1981&lt;br /&gt;Conspiração Aquariana, - Transformações Humanas e Sociais no Final do Século XX, Marilyn Fergunson,  Editora: Nova Era, 2003&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/628521061755037523-3198063898444202734?l=culturaconhecimento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/feeds/3198063898444202734/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/2011/08/nos-e-que-somos-o-futuro-nos-somos.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default/3198063898444202734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default/3198063898444202734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/2011/08/nos-e-que-somos-o-futuro-nos-somos.html' title='Nós é que somos o futuro, nós somos a revolução'/><author><name>Carlos Fragateiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18393815230031004262</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://2.bp.blogspot.com/_Kr9PUMQRf3E/Swj2anv9C_I/AAAAAAAAAA4/pu0wGfQxJcQ/S220/fotosForum+Mundial+da+Cultura+S%C3%A3o+Paulo+2004.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-acALkO_gKkA/Tk9JAhg7DiI/AAAAAAAAACU/rYqotSlK834/s72-c/Picasso%2Be%2BEinstein.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-628521061755037523.post-7899946804824456702</id><published>2011-08-17T08:46:00.000-07:00</published><updated>2011-08-17T08:46:45.386-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dinâmicas e Desafios'/><title type='text'>Os Laboratórios de Invenção do Futuro</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-tHMPzuq8ovA/TkviPKhOByI/AAAAAAAAAB8/NIRVYNEuwV8/s1600/Orbita%2Bde%2BMarte.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="238" width="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-tHMPzuq8ovA/TkviPKhOByI/AAAAAAAAAB8/NIRVYNEuwV8/s320/Orbita%2Bde%2BMarte.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o facto de ter existido um sonho que permitiu que, no séc. XVI, D. João II e o Infante D. Henrique tivessem sido capazes de atrair para Portugal uma elite de cientistas de outras partes da Europa, iniciando um diálogo com peritos e “scholars” de várias áreas do conhecimento, criando um primeiro think tank, conhecido na história como a Escola de Sagres. Houve de facto uma operação audaciosa de gestão do conhecimento da época, de atracção de talentos, de adjudicação de trabalho científico de alto nível na Europa e de criação de uma base naval na parte mais meridional do país, um movimento estratégico no Sul do país a que Agostinho da Silva chamou “a construção de um cais” e que Alex MacGillivray comparou “ao Cabo Canaveral da NASA nos anos 1960”.&lt;br /&gt;Com o avanço das tecnologias e o contributo de especialistas das diferentes áreas do conhecimento, tanto ao nível dos movimentos sociais, dos anseios e preocupações que atravessam cada comunidade, como nos domínios mais especializados ou nas abordagens multi e transdisciplinares, é possível ter uma visão holográfica da realidade, um GPS para nos orientarmos na complexidade do mundo e da crise em que vivemos, o que nos permite desenhar cenários, antecipar situações, dar forma aos nossos sonhos e ficcionar os futuros possíveis. &lt;br /&gt;Hoje para se conseguir Ler o Mundo e Inventar o Futuro temos de contar com a contribuição de especialistas das várias áreas do conhecimento, única forma de romper com as visões sectoriais da realidade, com a tendência para um conhecimento super especializado que nos impede de ter uma visão da complexidade que é hoje o mundo, e de especialistas de diferentes partes do mundo, diferentes culturas e religiões, que tragam a multiplicidade de olhares que existem sobre cada problemática e rompa com a visão única e centralista que temos tendência a fazer. No fundo necessitamos de equipas transdisciplinares e transnacionais que tenham capacidade de olhar para cada problema, para cada situação, através de múltiplos olhares, múltiplas referências, tanto ao nível das áreas do conhecimento como da sua proveniência no mundo. &lt;br /&gt;Por isso a nossa afirmação de que é fundamental, num mundo dominado pelos conflitos entre as diferentes culturas e religiões e pela incapacidade de nos pormos no lugar do outro, onde é cada vez mais difícil fomentar ou incentivar o diálogo, criar estes Laboratórios de Invenção do Futuro onde possamos juntar na mesma mesa gente das diferentes culturas e religiões para falar sobre o estado do mundo e as múltiplas formas de inventar os futuros possíveis. Ter condições para criar este ou estes espaços de diálogo e troca será necessariamente uma vantagem estratégica no contexto internacional. &lt;br /&gt;Que é o que acontece com a língua portuguesa que, com os seus 230 milhões de falantes e com as diferentes culturas e olhares que transporta, pode ter condições privilegiadas para ser um Laboratório de Invenção do Futuro, para ter um papel activo na construção de uma Europa das Línguas e das Culturas. Como diria o Prof. Agostinho da Silva, nas suas “Conversas Vadias”, “não só para que Portugal se reinstale, para que volte a si próprio depois de ter sofrido a tal invasão europeia, quando se fala de adesão de Portugal à CEE eu vejo aquilo como um desembarque na costa da Europa, mas para ajudar a Europa, para a ajudar, para ver se tem algum jeito depois de toda a confusão em que anda."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Fragateiro&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/628521061755037523-7899946804824456702?l=culturaconhecimento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/feeds/7899946804824456702/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/2011/08/os-laboratorios-de-invencao-do-futuro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default/7899946804824456702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default/7899946804824456702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/2011/08/os-laboratorios-de-invencao-do-futuro.html' title='Os Laboratórios de Invenção do Futuro'/><author><name>Carlos Fragateiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18393815230031004262</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://2.bp.blogspot.com/_Kr9PUMQRf3E/Swj2anv9C_I/AAAAAAAAAA4/pu0wGfQxJcQ/S220/fotosForum+Mundial+da+Cultura+S%C3%A3o+Paulo+2004.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-tHMPzuq8ovA/TkviPKhOByI/AAAAAAAAAB8/NIRVYNEuwV8/s72-c/Orbita%2Bde%2BMarte.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-628521061755037523.post-4701822484656090427</id><published>2011-08-16T10:30:00.000-07:00</published><updated>2011-08-19T06:35:32.621-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dinâmicas e Desafios'/><title type='text'>O Sonho da Língua Portuguesa De Ler o Mundo e Inventar o Futuro em Português</title><content type='html'> &lt;br /&gt;Portugal Plataforma Internacional &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos finais do século XV, inícios de XVI, os portugueses foram capazes de revelar à Europa que o homem é feito de muitos homens, muitas raças, provocando uma revolução do conhecimento. Em 2008 comemoraram-se duas efemérides ligadas à vida de dois portugueses, os padres Tomás Pereira, que viveu na China e foi astrónomo e músico e de quem se comemoraram, entre Lisboa e Pequim, os 300 anos do seu nascimento, e António Vieira, cujas comemorações dos 400 anos do seu nascimento se prolongaram, a pedido do Brasil, até meados de 2009, ano em que deveria ter sido &lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-NBFZT-SgN04/Tk5mkJ3tu3I/AAAAAAAAACE/EvZjRudM-KU/s1600/BG4.JPG" imageanchor="1" style="clear:left; float:left;margin-right:1em; margin-bottom:1em"&gt;&lt;img border="0" height="320" width="240" src="http://2.bp.blogspot.com/-NBFZT-SgN04/Tk5mkJ3tu3I/AAAAAAAAACE/EvZjRudM-KU/s320/BG4.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;publicado na Europa o livro Tien Wen Lueh, Tratado de Questões sobre os Céus, que o padre Manuel Dias publicou em 1615 na China, sobre as descobertas realizadas por Galileu, cinco anos antes, graças às observações com telescópios.  &lt;br /&gt;Esta capacidade de revelar outros mundos tem sido transportada através dos tempos pelo espírito da língua portuguesa, fazendo com que as teias criadas a partir das relações, centradas na cultura e no conhecimento, perdurem ao longo dos séculos. Num mundo dominado pelos conflitos entre as diferentes culturas e religiões e pela incapacidade de nos pormos no lugar do outro, onde é cada vez mais difícil fomentar ou incentivar o diálogo, é fundamental criar espaços onde possamos juntar na mesma mesa gente das diferentes culturas e religiões, onde possamos falar sobre o estado do mundo e as múltiplas formas de inventar os futuros possíveis. Ter condições para criar este espaço ou estes espaços de diálogo e troca será necessariamente uma vantagem estratégica no contexto internacional.  &lt;br /&gt;A língua portuguesa, com os seus 230 milhões de falantes e com as diferentes culturas e olhares que transporta, pode ter condições privilegiadas para albergar um desses espaços. Uma língua que, sendo ao nível europeu a terceira mais falada no mundo, é, naturalmente, um instrumento privilegiado na assumpção, por parte de Portugal, de um papel activo na construção de uma Europa das Línguas e das Culturas, na construção de uma identidade europeia capaz de se afirmar no contexto mundial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Fragateiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/628521061755037523-4701822484656090427?l=culturaconhecimento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/feeds/4701822484656090427/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/2011/08/o-sonho-da-lingua-portuguesa-de-ler-o.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default/4701822484656090427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default/4701822484656090427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/2011/08/o-sonho-da-lingua-portuguesa-de-ler-o.html' title='O Sonho da Língua Portuguesa De Ler o Mundo e Inventar o Futuro em Português'/><author><name>Carlos Fragateiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18393815230031004262</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://2.bp.blogspot.com/_Kr9PUMQRf3E/Swj2anv9C_I/AAAAAAAAAA4/pu0wGfQxJcQ/S220/fotosForum+Mundial+da+Cultura+S%C3%A3o+Paulo+2004.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-NBFZT-SgN04/Tk5mkJ3tu3I/AAAAAAAAACE/EvZjRudM-KU/s72-c/BG4.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-628521061755037523.post-8486057223404366304</id><published>2011-08-15T15:48:00.000-07:00</published><updated>2011-08-15T16:14:07.653-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Dinâmicas e Desafios'/><title type='text'>Indignação sem Empenhamento Cria o Vazio</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/-IRGJe8CAgP0/Tkmj9fxv9II/AAAAAAAAABs/7s5qVx6G4yU/s1600/Ana%2BBrand%25C3%25A3o%2BFilha%2Brebelde%2B2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px 10px 10px 0px; width: 212px; height: 320px; float: left; cursor: pointer;" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5641220285155767426" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-IRGJe8CAgP0/Tkmj9fxv9II/AAAAAAAAABs/7s5qVx6G4yU/s320/Ana%2BBrand%25C3%25A3o%2BFilha%2Brebelde%2B2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Durante os últimos tempos tenho vindo a constatar que se fala muito em indignação, mas muito pouco em empenhamento. E na verdade o livro indignai-vos, desse grande resistente que é o Stéphane Hessel, foi seguido de outro que se chama empenhai-vos. E publicou este último para que as pessoas não ficassem só na indignação, ela é um primeiro passo, mas sem ser seguida de um empenhamento cai no vazio, não tem propostas alternativas a que nos possamos agarrar, que possam dar sentido aos combates futuros.&lt;br /&gt;Penso que estamos na altura de começar a constituir um corpus das nossas ideias, das propostas e dos projectos por que queremos lutar, propostas e projectos que nos façam vencer a crise e construir futuros. São essas ideias que darão sentido a qualquer movimento, que poderão ajudar a mudar esta realidade cada vez mais fechada e absurda em que vivemos.&lt;br /&gt;E a cultura e as artes podem ter aqui um papel essencial. Mas isso implica que se perspective a intervenção cultural como a única que nos pode dar a totalidade do mundo, ligar a memória ao futuro, a tradição à inovação. Na verdade hoje podemos olhar determinadas actividades humanas, as artes, a produção de mitos ou as ciências naturais, como desenvolvimentos culturais numa mesma direcção, como actividades que apelam para a imaginação humana e que operam através da reconstrução de fragmentos da realidade com o objectivo de criar estruturas novas, situações novas, ideias novas.&lt;br /&gt;Este é para mim o sentido da intervenção dos artistas neste tempo de mudança: criar estruturas novas, serem capazes de ficcionarem/ simularem os cenários possíveis para o futuro ou os futuros possíveis, criando, como o fizeram Picasso e Einstein, uma nova forma de ver o mundo. Vamos pois empenhar-nos e começar a colocar nestas páginas os nossos projectos, as nossas ideias de mudança, os mundos que imaginamos ou que gostariamos de construiir no futuro? Futuro que é já.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/628521061755037523-8486057223404366304?l=culturaconhecimento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/feeds/8486057223404366304/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/2011/08/indignacao-sem-empenhamento-cria-o.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default/8486057223404366304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default/8486057223404366304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/2011/08/indignacao-sem-empenhamento-cria-o.html' title='Indignação sem Empenhamento Cria o Vazio'/><author><name>Carlos Fragateiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18393815230031004262</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://2.bp.blogspot.com/_Kr9PUMQRf3E/Swj2anv9C_I/AAAAAAAAAA4/pu0wGfQxJcQ/S220/fotosForum+Mundial+da+Cultura+S%C3%A3o+Paulo+2004.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-IRGJe8CAgP0/Tkmj9fxv9II/AAAAAAAAABs/7s5qVx6G4yU/s72-c/Ana%2BBrand%25C3%25A3o%2BFilha%2Brebelde%2B2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-628521061755037523.post-5856786539457985972</id><published>2011-08-13T04:52:00.000-07:00</published><updated>2011-08-13T04:57:12.603-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Práticas Teóricas'/><title type='text'>Ler o Mundo com o Olhar da Cultura</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;"Se tiverem pão e se eu tiver um euro, e se eu vos comprar o pão, eu ficarei com o pão e vocês com o euro e vemos nesta troca um equilíbrio: A tem um euro, B um pão. Mas se vocês têm um soneto de Verlaine, ou o Teorema de Pitágoras e eu não tenho nada, se vocês me ensinam, no final desta troca eu terei o soneto e o teorema, mas vocês também. No primeiro caso há um equilíbrio, é a mercadoria, no segundo há um crescimento, é a cultura".&lt;br /&gt;Michel Serres &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando nos confrontamos com uma crise que põe em causa o modelo de desenvolvimento dominante, o modelo de sociedade, e quando nos apercebemos que os instrumentos de análise a que temos acesso só nos dão uma visão sectorial ou disciplinar da realidade, impedindo-nos de perceber a complexidade do que estamos a viver.&lt;br /&gt;Quando temos consciência de que o grande défice dos dias de hoje é o défice de inteligência das elites, a sua incapacidade para encontrarem novas soluções, para darem espaço aos projectos inovadores e compreender a riqueza das propostas e das experiências de inovação que por todo o lado vão emergindo. Como refere Morin « plus les problèmes deviennet multidimensionnels, plus il y a incapacité à penser leur multimrnsionnalité ; plus progresse la crise, plus progresse l´incapacité à penser la crise ; plus les problèmes deviennet planétaires, plus ils deviennent impensés. Une intelligence incapable d´invisager le contexte et le complexe planétaire, rend aveugle, inconscient et irresponsable. » (p.15)&lt;br /&gt;Quando sabemos que o futuro só se constrói se solidamente suportado na memória e na história, que “a criatividade em si mesma – a capacidade de criar novas ideias e novas coisas – exige uma abundante memória de factos e de aptidões, abundante memória de trabalho, elevada capacidade de raciocínio, linguagem” (Damásio 2000, p.p. 358-359), e temos consciência que a prática do esquecimento é hoje dominante na nossa sociedade.&lt;br /&gt;Quando em todo o lado se fala, das empresas às universidades, das estruturas públicas às privadas, da necessidade de se formarem cidadãos autónomos e livres, com opiniões próprias, com uma forte inteligência sensível, com uma grande flexibilidade e abertura de pensamento, única forma de respondermos, individual e criativamente, à imprevisibilidade do mundo e aos desafios dos futuros possíveis.&lt;br /&gt;Quando sabemos que não haverá mudança se ela não passar pela transformação dos homens, uma mudança cada vez mais urgente pois o mundo do futuro será uma batalha cada vez mais exigente contra as limitações de nossa própria inteligência.&lt;br /&gt;É altura de perguntar onde está a dimensão social que potencie a formação de cidadãos e comunidades que estejam abertos à mudança, ao novo, não tenham medo do risco e sejam capazes de encontrar múltiplas respostas para a diversidade dos problemas com que, a cada momento, nos confrontamos?&lt;br /&gt;Uma dimensão social capaz de incentivar a construção de novos instrumentos de análise, de um novo quadro de referência, reforçando do papel da inteligência em todos os processos de intervenção humana e a modificação radical do nosso quadro de pensamento e dos actuais modelos de desenvolvimento.&lt;br /&gt;Esta é a dimensão cultural que é, ao mesmo tempo, memória e tradição, o cimento que suporta toda a estrutura social e lhe dá identidade, e espaço de invenção das múltiplas saídas para a crise, o GPS que nos orienta no caminho de descoberta de sentidos e caminhos que nos permitam inventar os futuros possíveis.&lt;br /&gt;A cultura é efectivamente a bússola de uma sociedade que não nos deixa desarmados face aos problemas e às situações imprevistas com que a cada momento nos confrontamos, dando-nos a capacidade de nos situarmo-nos perante o mundo e de contextualizar o nosso tempo e a nossa história. Um tempo onde, como afirma Morin (2000), “le vrai problème est de pouvoir faire la navette entre des savoirs compartimentés et une volonté de les intégrer, de les contextualiser ou de les globaliser” (p.8) pois o pensamento que separa e isola permite aos especialistas ser muito performativos nos seus compartimentos e cooperar eficazmente em sectores do conhecimento não complexos, nomeadamente aqueles que dizem respeito às máquinas artificiais, mas a sua lógica oculta tudo o que é subjectivo, afectivo, livre, criador (p.15).&lt;br /&gt;Naturalmente que está aqui implícito um conceito que liga cultura e conhecimento e a consciência de como o quadro da acção cultural deve ir muito para além do universo limitado das belas-artes e da educação stricto sensu, alargando a sua intervenção a todas as dimensões da vida social e, duma forma muito particular, à ciência. Uma realidade reconhecida por cientistas tão significativos como Ilya Prigogine e Isabelle Stengers que consideram a ciência como parte integrante da cultura no seio da qual se desenvolve, e mais recentemente por Rolf Heuer, director-geral do CERN, físico de formação e apreciador de música clássica, que afirmou que “a ciência e a arte estão intrinsecamente ligadas. Ambas são formas de explorar a nossa existência. (…) Juntas formam a cultura – a nossa expressão do que é ser humano no nosso universo”. Na verdade a separação entre a cultura humanística e a cultura científica trouxe consequências graves para cada uma delas, pois enquanto a cultura humanista alimenta a inteligência geral, afronta as grandes interrogações humanas, estimula a reflexão sobre o saber e favorece a integração pessoal dos conhecimentos, a cultura científica separa os campos do conhecimento e, se é capaz de provocar descobertas admiráveis e teorias geniais, não possui a capacidade de reflectir sobre o destino do homem e sobre o futuro da própria ciência.&lt;br /&gt;Uma dimensão cultural assumida como conhecimento, onde se cruza o futuro com a memória, dando corpo a uma visão transdisciplinar capaz de construir os alicerces dum novo tempo e permitindo-nos apropriarmo-nos dos instrumentos que nos permitem ter uma ideia da totalidade, uma visão holográfica de um mundo onde o homem deve voltar a ser o centro de todas as coisas, onde a sociedade seja vista na sua globalidade e não como somatório de áreas do conhecimento ou corporações, onde todos aqueles que experimentam e criam o novo têm um lugar privilegiado, sejam artistas, cientistas, filósofos, romancistas, onde as redes internacionais são redes do conhecimento e da criação do novo, do futuro. Enquanto seres humanos temos que assumir o desafio de sermos capazes de cada vez mais desenvolvermos a nossa inteligência e sensibilidade, pois se só ficarmos pela rotina e satisfeitos por viver no interior da normalidade qualquer dia seremos ultrapassados pelas máquinas artificialmente inteligentes, pelos robots que já chegaram à perfeição que todos conhecemos.&lt;br /&gt;A cultura é aqui entendida como espaço de criação de um destino pessoal e criativo que deve assumir o seu pleno significado e dimensão, tanto na perspectiva de antídoto para as crises, como na de espaço privilegiado de invenção de um mundo diferente, da prospectiva, onde o desenvolvimento apareça como inseparável da realização de todo o homem e de todos os homens, da sua liberdade e autonomia, da qualidade das relações que estabelecem e da capacidade de se situarem no mundo e de participarem em tudo aquilo que lhes diz respeito. Na sua dupla dimensão de elemento estável que reproduz e perpetua a instituição social e de fórum donde emergem os gestos criadores imprevisíveis e indeterminados, a cultura tem um papel indispensável no processo de invenção de um novo estilo de vida, de um novo quadro de referências, integrando em permanência as novas representações e os novos códigos simbólicos que emergem no seu próprio seio e que são resultantes dos processos de mudança.&lt;br /&gt;Neste quadro, e de acordo com Gaudibert (1972), parece-nos importante referir que o combate por um projecto cultural numa perspectiva de desenvolvimento não se situará mais nos aparelhos culturais, passando sim por todos os poros e interstícios da vida quotidiana, única forma de podermos ter esperança que a cultura seja um elemento capaz de mudar, ao mesmo tempo, a sociedade e a vida. Para Gaudibert (op.cit.), a arte deveria encontrar a rua e a cultura deveria encontrar a vida quotidiana, uma perspectiva que põe em causa os lugares e instituições culturais e, sobretudo, reafirma “le refus de la division entre une minorité de spécialistes se réservant le monopole de la création artistique et une masse de purs récepteurs de produits artistiques » (p.138). Trata-se de recriar a ideia da criatividade generalizada e permanente de todos, onde o único sentido da acção cultural seria o de ajudar a criatividade a encontrar os seus meios de expressão. A arte e a cultura são assim repostas ao lado do quotidiano e do existencial, uma ideia que é reforçada por Goldman (1971) ao defender a cultura, ou mais precisamente qualquer obra cultural, como o ponto de encontro ao nível mais elevado da vida do grupo e da vida individual, “residindo a sua essência no facto de elevar a consciência colectiva a um grau de unidade para o qual estava espontaneamente orientada mas que nunca teria atingido na realidade empírica sem a intervenção da individualidade criadora” (p. 103).&lt;br /&gt;Só com uma dimensão cultural enquanto realidade que atravessa todos os domínios do social e que, ao fazê-lo, nos incentiva e obriga a ultrapassar as visões localizadas e redutoras que ainda são dominantes na nossa sociedade, estaremos em condições de inventar outras realidades. Rui Tavares concretiza duma forma exemplar a ideia da cultura enquanto conhecimento: “Hoje, diz-se, vivemos na sociedade do conhecimento; a questão central é ter uma ideia de Portugal na sociedade do conhecimento. Pois bem, diria Pombal: se essa é a questão central, temos de voltar a colocá-la no centro. No centro simbólico, político - e no centro propriamente dito da cidade”. Como refere Dupuis, “il s´agit de renverser la problématique du développement en reconnaissant à la culture son pouvoir de structuration et sa dynamique, qui font qu´il ne peut y avoir de développement sans un approche globale des problèmes.” (1995, p.26) &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/628521061755037523-5856786539457985972?l=culturaconhecimento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/feeds/5856786539457985972/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/2011/08/ler-o-mundo-com-o-olhar-da-cultura.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default/5856786539457985972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default/5856786539457985972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/2011/08/ler-o-mundo-com-o-olhar-da-cultura.html' title='Ler o Mundo com o Olhar da Cultura'/><author><name>Carlos Fragateiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18393815230031004262</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://2.bp.blogspot.com/_Kr9PUMQRf3E/Swj2anv9C_I/AAAAAAAAAA4/pu0wGfQxJcQ/S220/fotosForum+Mundial+da+Cultura+S%C3%A3o+Paulo+2004.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-628521061755037523.post-2540855225750724786</id><published>2010-09-21T04:34:00.001-07:00</published><updated>2010-09-21T04:43:41.600-07:00</updated><title type='text'>Lisboa Plataforma Internacional de Criação Artística Capital da Língua Portuguesa</title><content type='html'>Num mundo atravessado pelos conflitos entre as diferentes culturas e religiões é fundamental criar espaços de diálogo onde possamos juntar na mesma mesa os diferentes olhares e formas de pensar o mundo, e o espaço ou universo da língua portuguesa, com os seus 230 milhões de falantes e com as diferentes culturas e olhares que transporta, pode ter condições privilegiadas para albergar um desses espaços. Uma língua que, sendo ao nível europeu a terceira mais falada no mundo, é, naturalmente, um instrumento privilegiado na assumpção, por parte de Portugal, de um papel activo na construção de uma Europa das Línguas e das Culturas.&lt;br /&gt;Tendo consciência de que as relações que Portugal foi solidificando, ao longo da sua história e por todo o mundo, só perduraram e chegaram ao nosso tempo porque foram sedimentadas por relações centradas na cultura e no conhecimento, é de uma importância estratégica que em Portugal, e em Lisboa, se estruture um projecto de criação artística, centrado na cultura e no conhecimento, que potencie e dê visibilidade à memória, às ideias e aos protagonistas do universo que, por todo o mundo, pensa e fala em português. &lt;br /&gt;Por isso é importante assumir Lisboa como uma plataforma internacional capaz de desenvolver projectos de produção e criação artística centrados nas temáticas ligadas às diferentes regiões onde a língua portuguesa está ou já esteve presente. &lt;br /&gt;Lisboa é essencialmente europeia, mas isso não quer dizer que o seu modelo de futuro deva ser o de Berlim ou o de outra cidade europeia de referência. Lisboa, a capital da língua portuguesa, uma língua que tem em si todas as culturas do mundo, pode afirmar-se como dona de um conhecimento e de uma capacidade capaz de potenciar o diálogo da Europa com outras culturas e civilizações, nomeadamente com a África, o universo Ibero-Americano e a Ásia.&lt;br /&gt;Lisboa, pela sua história e pela sua localização privilegiada, pode potenciar esta forma, tão particular e tão abrangente, de ler o mundo e de inventar o futuro como só o universo da língua portuguesa tem capacidade de fazer, pode assumir-se como a plataforma ou a mesa do diálogo hoje tão necessárias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/628521061755037523-2540855225750724786?l=culturaconhecimento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/feeds/2540855225750724786/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/2010/09/lisboa-plataforma-internacional-de.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default/2540855225750724786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default/2540855225750724786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/2010/09/lisboa-plataforma-internacional-de.html' title='Lisboa Plataforma Internacional de Criação Artística Capital da Língua Portuguesa'/><author><name>Carlos Fragateiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18393815230031004262</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://2.bp.blogspot.com/_Kr9PUMQRf3E/Swj2anv9C_I/AAAAAAAAAA4/pu0wGfQxJcQ/S220/fotosForum+Mundial+da+Cultura+S%C3%A3o+Paulo+2004.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-628521061755037523.post-8906714178933896984</id><published>2009-11-22T00:41:00.000-08:00</published><updated>2012-01-08T00:29:01.021-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Práticas Teóricas'/><title type='text'>A língua e a afirmação de Portugal no mundo</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-JlVtBdyqN9s/TwlTk7Mfu4I/AAAAAAAAAFM/2kAUPikGCE0/s1600/Sociedade%2Bcivil%2Be%2Bpoder%2Bpol%25C3%25ADtico%2Bcontroem%2Bpol%25C3%25ADticas%2Bculturais.jpg" imageanchor="1" style="margin-left:1em; margin-right:1em"&gt;&lt;img border="0" height="218" width="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-JlVtBdyqN9s/TwlTk7Mfu4I/AAAAAAAAAFM/2kAUPikGCE0/s320/Sociedade%2Bcivil%2Be%2Bpoder%2Bpol%25C3%25ADtico%2Bcontroem%2Bpol%25C3%25ADticas%2Bculturais.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="font-style: italic;"&gt;&lt;a href="http://cfcul.fc.ul.pt/equipa/3_cfcul_elegiveis/carlos%20fragateiro/fragateiro.htm" target="_self"&gt;Carlos Fragateiro&lt;/a&gt; dedica espaço alargado no jornal &lt;a href="http://jornal.publico.clix.pt/" target="_self"&gt;Público&lt;/a&gt;, de 8 de Maio de 2009,  para sublinhar o lugar do português na criação de uma Europa multilingue. Pela consolidação de relações com a Espanha e o espanhol — como uma ponte para a América latina —, bem como com a França e o francês — como uma estratégia de aproximação efectiva aos países africanos.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;hr style="width: 100%; height: 2px;"&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nos séculos XV e XVI Portugal foi o pioneiro da globalização. Hoje pode assumir-se como laboratório do futuro.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Nos finais do século XV, inícios de XVI, fomos capazes de revelar à Europa que o homem é feito de muitos homens, muitas raças, contribuindo para o aprofundar da visão renascentista e provocando um abalo que forçará a reconstrução e reconfiguração de todo o saber. Esta capacidade de provocar mudanças e de revelar outros mundos faz parte e existe no nosso ADN, o ADN de um país com uma alma que teve o tamanho do mundo e que tem sido transportado através dos tempos pelo espírito da língua portuguesa. Uma língua que é um lugar donde se vê o mundo e de ser nela pensamento e sensibilidade, uma língua como a nossa, como disse Vergílio Ferreira, donde se vê o mar e se ouve o seu rumor e que foi a consubstanciação de um novo espírito que se formou na Europa inteira e que hoje nos pode ajudar a ter um olhar especial sobre o estado do mundo, a inventar um outro sentido do mundo. Uma língua que é hoje a nossa maior riqueza, o instrumento privilegiado e estratégico na afirmação de Portugal no contexto europeu e na afirmação da Europa no contexto mundial.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em 2008 comemoraram-se duas efemérides ligadas à vida de dois portugueses, os padres Tomás Pereira e António Vieira, verdadeiros cidadãos do mundo que ligaram pessoas e culturas e foram exemplos únicos do modo de ser português. Tomás Pereira, que viveu na China e foi astrónomo e músico, de quem se comemoraram, entre Lisboa e Pequim, os 300 anos do seu nascimento, e António Vieira, o pioneiro da globalização e da multiculturalidade, cujas comemorações dos 400 anos do seu nascimento continuam, a pedido do Brasil, até meados de 2009. Estes dois homens são exemplos paradigmáticos de como as teias, criadas a partir das relações centradas na cultura e no conhecimento, perduram ao longo dos séculos e que têm sido pouco ou nada potenciadas pelos diferentes poderes.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Transportando a nossa língua toda esta carga simbólica e este sentido de mudança, e sendo a terceira língua europeia mais falada no mundo, é naturalmente um instrumento privilegiado na assunção, por parte de Portugal, de um papel activo e de liderança na construção de uma Europa das Línguas e das Culturas, na construção de uma identidade europeia capaz de se afirmar no contexto mundial, num processo que deve potenciar quatro dimensões.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma primeira, que coloca no centro os projectos que acolham no seu seio a diversidade cultural e linguística europeia, onde a nova Europa se possa experimentar nos processos de criação, privilegiando duas alianças estratégicas: com a Espanha, não só no contexto do espaço ibérico, mas acima de tudo no quadro da realidade ibero-americana, pois não podemos esquecer que os falantes de Português e de Castelhano representam um universo de 650 milhões em todo o mundo; com a França no contexto do universo africano, pois há muitas semelhanças e interesses comuns entre os projectos da lusofonia e da francofonia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Uma segunda, que crie condições para que esses criadores e essas estruturas contactem com projectos e práticas de referência, tanto ao nível do Brasil, como da África lusófona, tornando perceptível a sua importância estratégica para a construção de uma Europa que, sendo hoje um mosaico de todas estas realidades, tem uma efectiva dificuldade de as integrar devido ao pouco conhecimento que tem desta realidade multicultural e mestiça.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Em terceiro lugar há que ter em conta a diáspora portuguesa, que permite encontrar em todo o mundo gente que pensa também em português e que podem ser verdadeiros embaixadores de Portugal no mundo, não só projectando o nosso país no contexto internacional, mas também alimentando a nossa compreensão do mundo multicultural e mestiço em que vivemos.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Finalmente, Portugal pode ser um país privilegiado no diálogo com os países emergentes, nomeadamente a China, a Índia e, por maioria de razão, o Brasil, tendo em conta todo o passado histórico e as redes de cumplicidades que se foram reforçando ao longo do tempo e que é urgente não deixar apagar.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Se nos séculos XV e XVI Portugal foi a primeira aldeia global, foi o pioneiro da globalização, hoje pode assumir-se como o laboratório do futuro, como um país que é um efectivo laboratório de diálogo e contaminação de culturas, um espaço de encontros, de troca e de criação de cumplicidades. Portugal pode reassumir um papel estratégico na Europa e no mundo, já não como potência e império, mas como plataforma para a emergência de uma outra cultura, a cultura do conhecimento. Um laboratório onde se simulariam os cenários para o futuro ou os futuros possíveis, criando, como reflecte muito bem este diálogo imaginário entre Picasso e Einstein de uma peça de Steve Martin já apresentada no Teatro da Trindade, uma nova forma de ver o mundo:&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Picasso – «Quer dizer que pega numa ideia bela e transforma-a no que ela vai ser na realidade?»&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Einstein – «Precisamente. Criamos um sistema e verificamos se os factos encaixam nele.»&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Picasso – «Portanto, não está só a descrever o mundo como ele é?»&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Einstein – «Não. Estamos a criar uma nova forma de ver o mundo.»&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Picasso – «Está-me a dizer que sonha o impossível e ele acontece?»&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Einstein - «Exactamente.»&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Picasso – «Irmão!»&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Einstein - «Irmão!» (abraçam-se.) &lt;/p&gt;&lt;h4&gt;&lt;a name="source" style="text-decoration: none;"&gt;*&lt;/a&gt; in &lt;a href="http://jornal.publico.clix.pt/" target="_self"&gt;&lt;i&gt;Público&lt;/i&gt;&lt;/a&gt;, 8 de Maio de 2009 — 11/05/2009&lt;/h4&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/628521061755037523-8906714178933896984?l=culturaconhecimento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/feeds/8906714178933896984/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/2009/11/lingua-e-afirmacao-de-portugal-no-mundo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default/8906714178933896984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default/8906714178933896984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/2009/11/lingua-e-afirmacao-de-portugal-no-mundo.html' title='A língua e a afirmação de Portugal no mundo'/><author><name>Carlos Fragateiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18393815230031004262</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://2.bp.blogspot.com/_Kr9PUMQRf3E/Swj2anv9C_I/AAAAAAAAAA4/pu0wGfQxJcQ/S220/fotosForum+Mundial+da+Cultura+S%C3%A3o+Paulo+2004.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-JlVtBdyqN9s/TwlTk7Mfu4I/AAAAAAAAAFM/2kAUPikGCE0/s72-c/Sociedade%2Bcivil%2Be%2Bpoder%2Bpol%25C3%25ADtico%2Bcontroem%2Bpol%25C3%25ADticas%2Bculturais.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-628521061755037523.post-7994623985738451000</id><published>2009-10-06T09:52:00.000-07:00</published><updated>2009-10-06T09:59:05.569-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura e Cidade'/><title type='text'>Lisboa Plataforma do Futuro</title><content type='html'>Quando penso em Lisboa penso em Montreal, uma cidade que, pelo facto de falar francês num país como o Canadá que é maioritariamente anglófono, foi obrigada a desenvolver uma relação privilegiada com a França e a Europa como forma de defender a sua língua e a sua identidade cultural. O que parecia um constrangimento transformou-se numa oportunidade, sendo hoje Montreal uma plataforma e um ponto de encontro e diálogo entre as culturas europeias e americana, um laboratório de experimentação e cruzamento de culturas por excelência que produziu criadores e estruturas de referência como Robert Lepage ou o Cirque du Soleil.&lt;br /&gt;Lisboa é essencialmente europeia, mas isso não quer dizer que o seu modelo de futuro deva ser o de Berlim ou o de outra cidade europeia de referência. Lisboa, a capital da língua portuguesa, uma língua que tem em si todas as culturas do mundo, pode e deve ser diferente, porque só assim pode afirmar-se como dona de um conhecimento e de uma capacidade de diálogo com outras culturas e civilizações que a Europa não tem, nomeadamente com a África, o universo Ibero-Americano e a Ásia.&lt;br /&gt;Porque acredito na ideia de Lisboa como Plataforma do Futuro e porque acredito que António Costa vai potenciar esta forma, tão particular e tão abrangente, de ler o mundo e de inventar o futuro como só o universo da língua portuguesa tem capacidade de fazer, reafirmo-lhe o meu apoio cúmplice e solidário de há muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Fragateiro&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/628521061755037523-7994623985738451000?l=culturaconhecimento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/feeds/7994623985738451000/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/2009/10/lisboa-plataforma-do-futuro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default/7994623985738451000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default/7994623985738451000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/2009/10/lisboa-plataforma-do-futuro.html' title='Lisboa Plataforma do Futuro'/><author><name>Carlos Fragateiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18393815230031004262</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://2.bp.blogspot.com/_Kr9PUMQRf3E/Swj2anv9C_I/AAAAAAAAAA4/pu0wGfQxJcQ/S220/fotosForum+Mundial+da+Cultura+S%C3%A3o+Paulo+2004.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-628521061755037523.post-1327212810459933131</id><published>2009-08-18T08:02:00.000-07:00</published><updated>2009-08-18T08:06:18.238-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura e Cidade'/><title type='text'>Porta de Lisboa ou Praça das Quatro Partidas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terreiro do Paço ou Praça de Comércio - aquele lugar de Lisboa é um ponto de intercepção de dois mundos que se suportam e alimentam mutuamente.&lt;br /&gt;Ponto de chegada e de partida, começava por lhe mudar o nome para Porta de Lisboa ou Praça das Quatro Partidas. Porta que se prepara nas traseiras de todas as indústrias e comércios para partir para o mundo e Porta que se abre na fronte ribeirinha e no espantoso estuário para receber todas as influências do mundo.&lt;br /&gt;Ponto de intercepção, portanto: entre o passado e o futuro, o Norte e o Sul, o Este e o Oeste, o conhecimento e a cultura nas suas mais diversas expressões deviam reviver e fazer reviver a espantosa visão sobreira do arco de augusto sobre a estátua de D. José e o cais das colunas. Uma foz, como em tempos o foi na realidade e ainda o será nos seus subterrâneos.&lt;br /&gt;Do poder reteria apenas a estátua. Ministérios expulsá-los-ia a todos mas fazia uma tentativa séria para projectar (não necessariamente instalar) o Ministério da Cultura, o da Ciência e Tecnologia e o do Comércio com expressivas representações das suas políticas e actividades sob o lema " o que de melhor se faz em Portugal. Deixava ficar o vetusto S.T. da Justiça, mas projectava em exposições as actividades temáticas das principais fundações, associações, museus, Universidades e Centros Tecnológicos.&lt;br /&gt;A par destas "loja" âncora, adorava ver representado o melhor cinema e teatro de vários estilos e épocas. Acrescentaria um ou mais hotéis de charme e design (um necessariamente low cost para jovens) e envolveria a praça de esplanadas. Uma loja gourmet de produtos portugueses ou que as viagens tenham trazido ao mundo e uma megastore como a Virgin e a Fnac completavam o roteiro.&lt;br /&gt;Essencial mesmo uma filosofia e agenda de gestão do espaço e todas as suas actividades, sem prejuízo da espontaneidade do espectáculo de rua. Lembro que por detrás da Praça há mais praças nas naves que a ladeiam.&lt;br /&gt;Os Torreões devem servir para projectar o que eles dão de melhor: a vista do rio e das suas margens.&lt;br /&gt;Enfim Porta de Lisboa ou Praça das Quatro Partidas onde se projecta o melhor que a cidade e o País têm para dar e receber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luís Miguel Costa&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/628521061755037523-1327212810459933131?l=culturaconhecimento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/feeds/1327212810459933131/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/2009/08/porta-de-lisboa-ou-praca-das-quatro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default/1327212810459933131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default/1327212810459933131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/2009/08/porta-de-lisboa-ou-praca-das-quatro.html' title='Porta de Lisboa ou Praça das Quatro Partidas'/><author><name>Carlos Fragateiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18393815230031004262</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://2.bp.blogspot.com/_Kr9PUMQRf3E/Swj2anv9C_I/AAAAAAAAAA4/pu0wGfQxJcQ/S220/fotosForum+Mundial+da+Cultura+S%C3%A3o+Paulo+2004.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-628521061755037523.post-1447761949638744206</id><published>2009-08-10T22:40:00.000-07:00</published><updated>2009-08-18T08:16:49.925-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Práticas Teóricas'/><title type='text'>Cultura e conhecimento: a oportunidade perdida de Sócrates?</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Se tiverem pão e se eu tiver um euro, e se eu vos comprar o pão, eu ficarei com o pão e vocês com o euro e vemos nesta troca um equilíbrio: A tem um euro, B um pão. Mas se vocês têm um soneto de Verlaine, ou o Teorema de Pitágoras, e eu não tenho nada, se vocês me ensinam, no final desta troca eu terei o soneto e o teorema, mas vocês também. No primeiro caso há um equilíbrio, é a mercadoria, no segundo há um crescimento, é a cultura" &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;Michel Serres&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há uns dias, José Sócrates reuniu-se à porta fechada com 50 artistas de diferentes sensibilidades para saber das suas preocupações, prometendo uma maior atenção à cultura e um maior investimento que, pelo que nos pudemos aperceber, significará mais dinheiro para os artistas ou redes de artistas já há muito dependentes do poder. Esta perspectiva do investimento na cultura revela uma clara incapacidade de assumir a cultura como conhecimento, de ligar as artes com as ciências e as tecnologias, o futuro com a memória, mostrando que não há uma visão transdisciplinar capaz de construir com a cultura os alicerces dum novo tempo. Façamos justiça ao primeiro-ministro, pois esta não é só uma incapacidade sua, pois na mesma perspectiva se direccionam, duma ou doutra maneira, as opiniões de Vasco Graça Moura, porta-voz para a cultura do PSD, os pressupostos do manifesto para a cultura do séc. XXI, o programa do Bloco de Esquerda e a abordagem sobre a cultura do documento O nosso presente e o nosso futuro agora divulgado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em Portugal, para além das intervenções do Leonel Moura e de alguns cientistas e filósofos de referência, das poucas referências a uma perspectiva multidisciplinar da cultura gostaria de referir um texto de Rui Tavares sobre a Praça do Comércio, publicado aqui no PÚBLICO, que concretiza duma forma exemplar a ideia da cultura enquanto conhecimento: "Hoje, diz-se, vivemos na sociedade do conhecimento; a questão central é ter uma ideia de Portugal na sociedade do conhecimento. Pois bem, diria Pombal: se essa é a questão central, temos de voltar a colocá-la no centro. No centro simbólico, político - e no centro propriamente dito da cidade." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando nos confrontamos com uma crise como a que vivemos, que põe em causa tanto o modelo de desenvolvimento dominante, como o modelo de sociedade, e quando nos apercebemos que os instrumentos de análise da crise só nos permitem ter uma visão sectorial ou disciplinar da realidade, há que perguntar onde está a dimensão social que nos pode dar uma leitura multidisciplinar do mundo. Essa dimensão social é a da cultura, de uma ideia de cultura que seja, ao mesmo tempo, o espaço de encontro connosco e de criação das condições para a descoberta e a invenção do futuro, a bússola ou o nosso GPS social. Uma dimensão cultural onde todos aqueles que experimentam e criam o novo têm um lugar privilegiado, sejam artistas, cientistas, arquitectos, sociólogos, urbanistas, animadores sociais, filósofos, romancistas, onde as redes internacionais sejam redes do conhecimento e da criação do novo, do futuro, e não redes sectoriais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O mundo está a entrar na era de uma geração habituada a ter um olhar holográfico do mundo, a unir mais que a dividir, a alargar mais que a reduzir. Também em Portugal há um pensamento subterrâneo que se desenvolve, um pensamento criativo e inovador capaz de potenciar a emergência de um novo quadro de pensamento que juntará a utopia da geração da resistência, que ainda acredita que o poder é efémero, com a inovação da geração Erasmus, como na prática já acontece na Ydreams. Um tempo de mudança e de fronteira que será necessariamente o tempo da cultura, o tempo onde o desafio maior é o de sermos capazes de afirmar os projectos que vão determinar o nosso futuro. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Neste quadro de mudança é fundamental que, depois da efectiva aposta que no nosso país se fez ao nível da tecnologia e da ciência, sejamos capazes de dar sentido a estas apostas num quadro global que é o quadro da cultura e do conhecimento, que sejamos capazes de "estabelecer o importante link entre a cultura convencional, a das artes e espectáculos, com a nova cultura do conhecimento, a do plano tecnológico e da ciência" como escreveu Leonel Moura, É este o desafio que José Sócrates não deve nem pode perder.&lt;br /&gt;Carlos Fragateiro&lt;br /&gt;2009-08-11 &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/628521061755037523-1447761949638744206?l=culturaconhecimento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/feeds/1447761949638744206/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/2009/08/cultura-e-conhecimento-oportunidade.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default/1447761949638744206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default/1447761949638744206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/2009/08/cultura-e-conhecimento-oportunidade.html' title='Cultura e conhecimento: a oportunidade perdida de Sócrates?'/><author><name>Carlos Fragateiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18393815230031004262</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://2.bp.blogspot.com/_Kr9PUMQRf3E/Swj2anv9C_I/AAAAAAAAAA4/pu0wGfQxJcQ/S220/fotosForum+Mundial+da+Cultura+S%C3%A3o+Paulo+2004.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-628521061755037523.post-4276438037188874279</id><published>2009-07-23T05:13:00.000-07:00</published><updated>2009-08-18T08:14:21.784-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura e Cidade'/><title type='text'>‘Cultura, território e comunidade’ Como pode uma comunidade organizar-se para pensar o seu futuro?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;José Carlos Mota, Aveiro (16 Julho 2009)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Amigosd’Avenida são um grupo de cidadãos de Aveiro que se tem vindo a reunir, de forma informal, há mais de sete meses para reflectir sobre o futuro da sua cidade.&lt;br /&gt;O grupo teve a sua origem no debate público lançado, em Novembro de 2008, pela autarquia aveirense sobre o futuro da Avenida Lourenço Peixinho. Nessa oportunidade, foi entendido por um grupo de pessoas criar um blogue colectivo (&lt;a href="http://amigosdavenida.blogs.sapo.pt/"&gt;http://amigosdavenida.blogs.sapo.pt/&lt;/a&gt;) que tem funcionado como espaço de encontro e debate, com a preocupação de assegurar a pluralidade e o confronto de ideias, de trazer conhecimento (técnico e científico), de apresentar exemplos de boas práticas a nível nacional e internacional, mostrando como noutras realidades se desenvolvem políticas públicas locais de mobilidade, cultura, de economia e urbanismo. Para apoiar a reflexão e criar uma maior interactividade com a comunidade foi criada uma mailing-list que tem funcionado, ainda que de uma forma embrionária, como espaço de interacção entre cidadãos, contando, neste momento, com cerca de 180 membros.&lt;br /&gt;Um dos temas a que o grupo tem dedicado particular atenção tem sido as comemorações dos 250 anos de Aveiro e a oportunidade que o evento pode ter para ‘afirmar a cultura como um factor de desenvolvimento e de competitividade’ da cidade. A necessidade de qualificar essa aposta motivou a criação de grupos de trabalho sobre duas questões centrais: a questão da “animação e qualificação do espaço público” e o “papel das actividades artísticas, culturais e de criatividade”.&lt;br /&gt;A leitura de experiências internacionais inspiradores, nomeadamente a estratégia assumida por Vilnius Capital Europeia da Cultura 2009, que defendia a ideia de "levar a arte para a rua e transformar a face da cidade" e que “investia na participação das pessoas e na vivência da cidade", e a constatação da importância, relevância, dimensão e número de agentes artísticos, culturais e do sector criativo/tecnológico existente em Aveiro motivou o lançamento de um desafio à comunidade aveirense – aproveitar as comemorações como oportunidade para estimular a produção artística, cultural e tecnológica, para intervir na qualificação do espaço público da cidade e para criar uma relação mais próxima dos Aveirenses com a sua cidade.&lt;br /&gt;Para apoiar essa reflexão foram organizados vários debates públicos (abertos à participação de todos os interessados) que sistematizaram preocupações/problemas, identificaram princípios de actuação e sugeriram algumas pistas de acção (tendo em conta os escassos meios disponíveis e o curto espaço de tempo para as desenvolver). O ‘caderno de encargos’ obtido neste processo colaborativo foi enviado a todas as instituições da cidade, tendo sido solicitado contributos e avaliado disponibilidades para poderem apoiar a concretizar algumas das ideias presentes.&lt;br /&gt;Das várias propostas sugeridas, o grupo entendeu desenvolver o projecto-piloto “Se esta praça tivesse 250 anos” (&lt;a href="http://programadasfestas.blogs.sapo.pt/"&gt;http://programadasfestas.blogs.sapo.pt/&lt;/a&gt;), inspirado na estratégia de Vilnius2009, e que surge com o objectivo de motivar a organização de um programa de actividades ‘artísticas’ numa das praças centrais da cidade (Praça Melo Freitas) aos sábados à tarde, mobilizando para a sua concretização os vários agentes culturais da cidade (música, teatro, pintura, dança, poesia, entre outras).&lt;br /&gt;A necessidade de articular e coordenar as actividades dos vários agentes artísticos, culturais e criativos da cidade motivou a proposta de criação de uma plataforma institucional (&lt;a href="http://plataformaculturaveiro.blogs.sapo.pt/"&gt;http://plataformaculturaveiro.blogs.sapo.pt/&lt;/a&gt;) que se pretende venha a assumir a função de programação e divulgação cultural, de gestão dos espaços e equipamentos culturais, de estímulo de desenvolvimento de acções conjuntas, de apoio à inserção em redes nacionais e internacionais, e de pesquisa e candidatura a programas de financiamento.&lt;br /&gt;Para finalizar importa referir os Amigosd’Avenida lançaram, recentemente, um manifesto por ‘uma política de qualificação e animação do espaço público da cidade de Aveiro’ (&lt;a href="http://manifestopelacidade.blogs.sapo.pt/"&gt;http://manifestopelacidade.blogs.sapo.pt/&lt;/a&gt;) o qual pretende contribuir para a qualificação das opções de política cultural e urbanística para a cidade de Aveiro. Com base no manifesto está a ser desenvolvido o projecto cinematográfico ‘Aqui! / Here!’, liderado pelos Amigosd’Avenida e pelo Festival AVANCA’09, que se desenvolverá a partir dos dez princípios para criar dez curtas-metragens desenvolvidas em dez cidades dos cinco continentes (&lt;a href="http://aqui2009.blogs.sapo.pt/"&gt;http://aqui2009.blogs.sapo.pt/&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Questões finais para reflexão:&lt;br /&gt;Vivemos em Aveiro (e atrevo-me a dizer, um pouco por todo o país) um momento de preocupante apatia colectiva (das comunidades e das instituições), um desânimo perante as dificuldades e alguma desorientação relativamente ao(s) rumo(s) a tomar.&lt;br /&gt;Perante esse quadro o movimento cívico Amigosd’Avenida tem procurado incutir na sua comunidade um espírito de inquietação e de mobilização, como forma de responder aos problemas ou às oportunidades identificadas.&lt;br /&gt;Apesar das inúmeras iniciativas desenvolvidas (Blogue; mailing-list; Grupos de trabalho/reuniões públicas; Projecto animação ‘Praça Melo Freitas’; Proposta da Plataforma; Manifesto; Projecto ‘Aqui!’) estamos perante uma experiência muito recente, de carácter experimentalista, e sem uma avaliação sólida dos seus resultados.&lt;br /&gt;Contudo, apesar das ‘limitações’ na avaliação dos resultados, pode valer a pena reflectir sobre o método utilizado. Salienta-se, assim, a preocupação de:&lt;br /&gt;identificar o(s) tema(s) mobilizadores (no caso de Aveiro ‘as comemorações dos 250 anos’, a ‘Avenida Lourenço Peixinho’);&lt;br /&gt;mobilizar os agentes de mudança (os cidadãos interessados, os agentes culturais);&lt;br /&gt;perante a inércia institucional, encontrar plataformas alternativas de acção (com lideranças partilhadas);&lt;br /&gt;gerar colectivamente ideias e mobilizar meios (vontade, interesse, gosto, dedicação) para as implementar (‘contra todas as dificuldades’);&lt;br /&gt;experimentar e arriscar (‘não se ficar pelas palavras ou pelas boas intenções’);&lt;br /&gt;avaliar resultados e corrigir trajectórias (partilhar o processo de construção das ideias; dificuldades; resultados; sucessos);&lt;br /&gt;usar a internet (blogue) e os meios de comunicação social local (asseguram a ‘disponibilidade permanente’ da informação; a rede; a ampliação da ‘base social de apoio’; a transmissão das ideias para a ‘mesa do café’);&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/628521061755037523-4276438037188874279?l=culturaconhecimento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/feeds/4276438037188874279/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/2009/07/cultura-territorio-e-comunidade-como.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default/4276438037188874279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default/4276438037188874279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/2009/07/cultura-territorio-e-comunidade-como.html' title='‘Cultura, território e comunidade’ Como pode uma comunidade organizar-se para pensar o seu futuro?'/><author><name>Carlos Fragateiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18393815230031004262</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://2.bp.blogspot.com/_Kr9PUMQRf3E/Swj2anv9C_I/AAAAAAAAAA4/pu0wGfQxJcQ/S220/fotosForum+Mundial+da+Cultura+S%C3%A3o+Paulo+2004.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-628521061755037523.post-6300221919298726682</id><published>2009-07-21T10:26:00.000-07:00</published><updated>2009-07-21T10:31:06.029-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cultura e Cidade'/><title type='text'>Povo que Lavas no Rio Águeda</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O espectáculo “Povo que Lavas no Rio Águeda!”, de autoria e encenação da D’Orfeu (Associação Cultural de Águeda), e resultado de uma exemplar parceria com Câmara Municipal de Águeda, fez regressar o célebre poema de Pedro Homem de Mello à génese da sua inspiração, o rio Águeda.O brilhante espectáculo apresentado no último fim-de-semana em Águeda, no local onde outrora existiu a piscina fluvial, e ao qual assistiram mais de 3000 pessoas, demonstrou o carácter mítico e inspirador que o Rio Águeda tem provocado na criação artística local, revisitando todo um repertório musical e poético de todos os tempos, cujos autores e estilos se inspiraram ou dedicaram ao próprio rio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A montagem do espectáculo ocupou o leito e a margem direita do rio Águeda, onde cerca de 400 artistas actuaram, entre os quais, a orquestra principal, um enorme coro misto (composto pelos vários grupos corais (adultos e infantis) e orfeões do concelho, diversas colectividades artísticas, actores, dançarinos, ranchos folclóricos, canoístas… A este elenco juntou-se ainda seis ensambles locais (jazz, clássico, rock e tango), os quais recriaram, dentro dos seus estilos, uma boa parte do repertório do espectáculo, numa mistura de sons e imagens dispares mas de harmonia incontestável.Do lado esquerdo da margem do rio, numa bancada aí colocada, cerca de 1500 pessoas em cada um dos dois dias, assistiram, maravilhadas ao espectáculo com que eram presenteadas.Assim, mais do que a audácia artística de projectos como este, o espectáculo “Povo que Lavas no Rio Águeda” consolidou a multi-parceria cultural de características inéditas entre as muitas associações culturais, recreativas e até desportivas do concelho e a autarquia, lançando e fomentando um novo estilo de identidade aguedense, que envolve, orgulha e valoriza toda a comunidade, todo o concelho.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Do ponto de vista político, a visão estratégica de uma autarquia, a aposta séria na cultura, o sonho de um Presidente de Câmara em devolver à cidade de Águeda o seu rio, ou o rio à cidade de Águeda, a sensibilização e revitalização da importância do rio, a requalificação de toda a zona ribeirinha, a recuperação de memórias de várias gerações, a devolução a Águeda da sua Alma, agora já não apenas presente das páginas do livro de Manuel Alegre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carla Eliana Tavares &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/628521061755037523-6300221919298726682?l=culturaconhecimento.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/feeds/6300221919298726682/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/2009/07/povo-que-lavas-no-rio-agueda.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default/6300221919298726682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/628521061755037523/posts/default/6300221919298726682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://culturaconhecimento.blogspot.com/2009/07/povo-que-lavas-no-rio-agueda.html' title='Povo que Lavas no Rio Águeda'/><author><name>Carlos Fragateiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18393815230031004262</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='22' src='http://2.bp.blogspot.com/_Kr9PUMQRf3E/Swj2anv9C_I/AAAAAAAAAA4/pu0wGfQxJcQ/S220/fotosForum+Mundial+da+Cultura+S%C3%A3o+Paulo+2004.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
